Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

PROCESSO

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Uu Munume'ytuh daa Naasañ-ñ
by Jorge Ponce
[demo]












































@Jorge Ponce

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

PÓS-PRODUÇÃO

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A OPORTUNIDADE DO ESPECTADOR
[É para isto que se fazem espectáculos? É.]



MÉON disse...
Sábado passado, no Teatro-Cine, em Torres Vedras. O desafio posto ao ATV (Académico de Torres Vedras) era criar um espectáculo integrado nas Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras. Desafio ganho com brilhantismo. Abordagem muito inteligente do tema, a partir dos olhos da geração mais nova. Um encenador seguro, Rogério Nuno Costa; um belíssimo texto de Luís Filipe Cristóvão; imagens de vídeo, fotografia e filme, em tela de fundo, sem colidir com as movimentações em palco: os ingredientes de um espectáculo de grande força visual. Que não seria bastante se não fosse acompanhado de uma convincente abordagem ideológica do tema: desconstrução dos nacionalismos, denúncia do convencionalismo patriótico, relativização dos sentimentos nacionais pela evidência do seu vazio, urgência de substituir retórica de raça por género humano universal. A sala cheia é certeza de que o ATV já criou público, depois da grande estreia com MASHUP, no ano passado. Para melhor esclarecimento do que foi dito, veja-se AQUI.


Méon, ainda bem que divergimos. Opiniões diferentes suscitam conversas interessantes!!!!


ROGÉRIO NUNO COSTA disse...
...obrigado pelo comentário. E, claro, pela acertada interpretação das questões que, no espectáculo, são de facto as mais importantes. Este ano comemoram-se os 200 anos do VAZIO. É urgente que Torres Vedras saiba que por aqui, há 200 anos, não se passou rigorosamente nada. Até à próxima!


MÉON disse...
Não se passou rigorosamente nada? Ou é ironia ou... (desculpe a crueza) uma enorme ignorância. De facto não houve uma batalha como no Buçaco. Mas as Linhas serviram exactamente para isso: para que não houvesse batalha. Mas houve muitas outras coisas: mobilização de milhares de pessoas para a construção de fortes, redutos, estradas, travezes, abatises, paliçadas, escarpamentos, transportes de materiais, etc. Houve dois exércitos de milhares de homens frente a frente durante cinco meses, com tudo o que isso implica de problemas de sobrevivência de militares e civis; houve muita gente a morrer de fome e de doença. Como é possível dizer que "não houve rigorosamente nada"?


Caro Méon, viu o espectáculo, e sabe que se trata de teatro. Não se trata de investigação histórica. Logo, trata-se de ficção, e não constatação. Pode ler o meu comentário com o filtro da ironia. Eu prefiro lê-lo com o filtro do cinismo. Acho-o mais interessante do ponto de vista artístico. Apenas e só artístico, atenção! Nesse sentido, dizer-se que "não se passou rigorosamente nada" poderá querer dizer que "há-de ter-se passado qualquer coisa de relevante, mas que aos nossos olhos nos parece insuficiente para atingir a categoria de efeméride municipal". Afirmar, num espectáculo, aquilo que afirmo, não é ironia, é cinismo. E é auto-envenenamento: o mesmo dinheiro que a Câmara gasta na dita comemoração da efeméride, é o mesmo dinheiro que paga o nosso espectáculo. Repito: faço teatro, não faço história. E respondo enquanto autor de teatro. Da forma como acabei de responder.


Moedas, de facto, o princípio da nossa ficção está no Vazio, no facto de aqui não se ter passado nada de relevante para ser comemorado. Daí, partimos para o Vazio enquanto amálgama de Nações, e dessa amálgama para o Vazio de novo. Depois, tentámos criar uma Nação Utópica, imaginária, impossível. Uma nação que rebate a necessidade de ganhar ou perder com o lema "só queremos empatar". E, no fim, aquilo que sentimos, é de facto o Vazio. Os 200 anos do Vazio. Uma peça de teatro não tem que ser uma verdade histórica. Mas usamos a história para explicar melhor aquilo que sentimos. Acho que isso foi conseguido, tanto que no teu texto fazes uma leitura exacta do que pretendíamos apresentar. Um abraço.


MEÓN disse...
Estamos a falar de coisas muito diferentes, parece-me. Do meu ponto de vista, uma coisa é fazer ficção com intenções artísticas a partir das nossas representações mentais; outra é distorcer propositadamente os factos históricos para fazer essa ficção. É aceitável interpretar a História, fazer uma leitura dela, a partir dos acontecimentos documentalmente comprovados; mas é abusivo (e inútil!) negar os acontecimentos, sob pena de se cair no descrédito. A leitura que fiz do espectáculo dava o benefício da dúvida quanto a esta questão. Pareceu-me uma interpretação da História, no sentido de a depurar dos resquícios de patrioteirismo balofo que ainda surge aqui ou ali, esporadicamente. Ao mesmo tempo parecia-me que abordava a questão central do nosso tempo que é da necessidade urgente de ultrapassar os nacionalismos estreitos, quando há muito o capital financeiro já o fez, sem qualquer escrúpulo. Por fim, parecia-me que fazia um ajuste de contas com o imaginário nacionalista do Estado Novo. Mas vejo agora que o ponto de partida dos responsáveis do espectáculo foi um equívoco. Partiram do princípio que se estava a comemorar, no sentido de festejar uma vitória. Ora, se é essa a leitura que fazem, ela está errada. A intenção não é comemorar. É evocar, lembrar, avivar a memória, para melhor compreender o presente. Recordo as palavras do Comissário das Comemorações, Manuel Clemente: "Lembrar hoje as Linhas de Torres Vedras, na paz europeia de que felizmente gozamos, é evocar todo os que aqui estiveram, dos dois lados das Linhas, quando nós, seus descendentes, nos reencontramos num projecto comum para o Continente e para o Mundo. Lembrando os de então, abrimos o futuro na solidariedade e na paz." Quando se pega na História de uma forma equívoca, facilmente se cai no absurdo e no abuso ofensivo de meter no mesmo saco Hitler e Soares, Salazar e Cunhal – como vimos na peça. A História é uma ciência e reconhecê-lo é uma conquista da humanidade. Não é por acaso que os ditadores é que refazem a História, ao arrepio da sua construção científica e ao serviço dos seus projectos políticos. Por isso, estou em desacordo com a forma de abordar esta questão da História, do modo como o Rogério e o Luís Filipe agora o fizeram nos seus comentários. O Luís, ao afirmar que usa a História para explicar o que sente, está a fazer exactamente o que faziam os nacionalistas do Estado Novo, que também usavam a História para se explicarem, só que noutra perspectiva. O Rogério, ao usar a História como se fosse um fait-divers, deixa de fazer uma abordagem séria de um fenómeno sócio-histórico e entra no domínio da laracha gratuita. Está no seu direito. E eu estou no meu, ao rejeitá-lo liminarmente.


...porque continuo a acreditar, de forma igualmente liminar, que não me cabe "fazer história", mas "teatro", deixo aqui o comentário que escrevi relativamente ao fado cantado no espectáculo:


Caro Méon, não se pode confundir o criador do espectáculo com a ideologia do espectáculo. Se assim fosse, o Shakespeare seria lembrado por ser um sanguinário incorrigível, todos os autores gregos como apologistas do fratricídio ou do incesto, ou então, se quisermos agarrar em exemplos "contemporâneos", a Sarah Kane seria uma apologista ferrenha do suicídio, entre outras abordagens extremistas ao corpo e à vida. Em ficção, os temas interessam-me enquanto propulsores de narrativas teatrais (e para-teatrais). Nesse sentido, as invasões napoelónicas são tão interessantes/importantes quanto um saco de batatas. Não se trata de denegrir gratuitamente um facto histórico. Trata-se, sim, de construir a partir dele uma narrativa teatral autónoma. Repito: o cinismo é mais interessante artisticamente do que a ironia. E é assumido por parte dos criadores deste espectáculo que só podemos fazer o que quisemos fazer se nos dermos a possibilidade auto-mutiladora de provarmos do nosso próprio veneno. É por isso que neste espectáculo não existe "moral" possível (outra coisa que não deveria fazer parte do léxico teatral contemporâneo). A sua abordagem (perfeitamente legítima, atenção!) escreve-se, aqui, contra-corrente ao nosso pensamento artístico, pois é absolutamente moral: o que se pode e o que não se pode fazer com uma matéria histórica específica. Não nos cabe fazer discursos legitimadores da proposta/encomenda (isso cabe aos dirigentes políticos que a promovem, mal ou bem). Cabe-me (e isso farei SEMPRE) legitimar o discurso artístico que alicerça a obra. Lamento desapontá-lo, caro Méon, mas estamos a falar de um espectáculo que não é, nunca foi nem nunca será "SOBRE" o tema histórico. Estamos a falar de um espectáculo que é "SOBRE" o seu próprio processo de construção. O tema é subsidiário... Abraço.


MEÓN disse...
Bom, esta conversa vai animada e é muito interessante. Parece-me que os criadores do "Selecção Nacional" estão em pleno pós-pós-pós-modernismo. É o beco em que está toda a arte contemporânea. Quando se esgotam as abordagens comprometidas com visões da vida (o tal "moralismo", de que fala o Rogério?), entra-se no cinismo auto-fágico e na contemplação narcísica dos próprios gestos. Para quê? Se fosse para afirmar a liberdade de fazer o que se entende, ainda eu compreendia. Mas parece que não, porque se assim fosse, isso já seria "moralismo"... De facto eu não consigo lidar com este tipo de abordagem artística, assumidamente cínica e descomprometida com os conteúdos. Provavelmente estou a ser redutor e estreito de vistas. Porque continuo a raciocinar em termos de forma/conteúdo, com valores ideológicos incluídos. Fora disto, tenho a impressão de que a arte procura desesperadamente uma saída, como aqueles heróis de BD que chegam ao fundo de um beco escuro e só encontram paredes altíssimas, lisas. Não há saída... Uma pergunta final: que pretendem os criadores deste espectáculo? Gostava de uma resposta clara e sem subterfúgios, se pudesse ser... Abraço!


Caro Méon: sim, a conversa vai animada e muito interessante. É raro falar-se dos espectáculos através destas questões (que são garantidamente as que me interessam). Não são os criadores deste espectáculo que estão em pleno pós-pós-pós-modernismo. Parece-me ser essa a condição dos tempos em que vivemos (sim, é uma condição, não é uma corrente estética, ao contrário do que muita gente pensa). É minha missão, enquanto criador, dialogar com essa condição. Não tenho qualquer vontade de a mudar/superar/ultrapassar/destruir/construir/desconstruir. Talvez compreendê-la melhor... É um beco sem saída? É. Será necessário encontrar a luz ao fundo do túnel? Tenho dúvidas. A arte, hoje, tem que lidar com a sua própria inutilidade, sem dramatismos idiotas nem promessas de um mundo melhor. Não é uma qestão de demissão, é a constatação de uma realidade que, ainda que pareça que não, é fértil do ponto de vista do pensamento e da reflexão. Eu próprio me debato diariamente com a essência do gesto artístico e com a legitimidade da sua existência numa época em que o mesmo não vale rigorosamente nada. Digo isto em contraponto com um ideal utópico passado, que me recuso a querer recuperar. Mas não acho que a este nível o Méon seja redutor e estreito de vistas. Talvez só um bocadinho "romântico" demais... Está no seu direito. A "abordagem cínica e descomprometida com os conteúdos", que o Méon parece recusar, não é um fim. É um caminho (e por aqui começa a resposta à sua pergunta no final do comentário). Costumo usar as palavras de um artista plástico que admiro, chamado Thomas Hirschhorn, quando me proponho a falar sobre estas questões. Diz ele que não faz "arte política", faz "arte politicamente". Sempre me interessou mais o percurso que o ponto de chegada. Sendo que no percurso está também o ponto de partida. Interessa-me procurar a essência do gesto artístico. Prefiro a ontologia à hermenêutica. Posto isto, o que pretendo com este espectáculo (e falo por mim, pois o Luís não tem participado neste debate) é a procura de uma solução para uma pergunta/problema: o que fazer com uma encomenda? Pelo que disse atrás, facilmente se constata que tanto me interessa o sucesso quanto o fracasso na obtenção dessa resposta. Não acredito em respostas consoladoras, por isso prefiro trabalhar muito bem a pergunta, a ver se a resposta brota sozinha, sem que eu precise de a revelar. Na verdade, não há resposta possível, e é mesmo assim que tem que ser. Um espectáculo vive e sobrevive em cima de uma estreita relação com o tempo e o espaço concretos (não abstractos) em que se encontra construído. É certo para aquele momento. E só para aquele. Não acredto em obras "universais". Prefiro os particularismos. Gosto da ineficácia. E gosto do erro. Tenho uma fé inabalável no poder criador (nem sequer digo "criativo") do falhanço. E acredito mais no pensamento que na prática. O espectáculo segue sempre nas cabeças de quem o vê. Por isso o espectáculo também está a acontecer agora, no exacto momento em que escrevo e dialogo consigo. Abraço.


MÉON disse...
Pois bem, caro Rogério: parece que já nos entendemos. Percebi o seu ponto de vista e você percebeu o meu. Fico à espera do seu próximo espectáculo. Se puder, lá estarei. E sabe porquê? Porque, embora não partilhando os seus pressupostos artísticos, e apesar de alguma "seca", eles me divertem. O que, nos tempos que correm, não é nada mau... Por mim, como já não tenho mais música, meto a viola no saco e por aqui me fico. Você faça o que entender, este espaço também é seu, com todo o gosto! Saravá!


Olá amigos. Como sabem, ontem estive presente na actividade do "Comboio de Leituras" e não pude participar desta discussão. Apesar de chegar tarde, não quero deixar de adicionar algumas reflexões próprias a esta questão, já que o projecto "Selecção Nacional" tem importâncias, origens e consequências diferentes no meu trajecto artístico e no do Rogério. Ao ser convidado para escrever os textos deste projecto, participei desde o início na sua concepção, acompanhando leituras, ensaios e ideias para as suas várias representações (filme/fotografia/peça). Sendo para mim um novo desafio a escrita de um texto teatral, não me consigo separar em momento algum do facto de ser um texto e de, para mim, o jogo ser feito no papel. E é desse modo que a "Selecção Nacional" se conjuga perfeitamente com, por exemplo, o meu último livro, "A Cabeça de Fernando Pessoa". Em ambos os casos me aproprio de discurso alheio, seja de autores, seja do discurso quotidiano, e o subverto a favor dos meus argumentos dentro da obra de arte que estou a executar. Acredito que a obra de arte deve provocar, deve desestabilizar, deve ser um tanto incómoda à ordem habitual das coisas. E é nesse sentido que se cruzam Soares, Hitler, Cunhal e Salazar, é nesse sentido que se apelida de "mentirosa" a Rainha Santa, "bêbeda" a Amália, "assassina" a Rosa Mota. Em cada momento do texto se espera criar uma reacção do espectador, tendo sido a mais visível aquela em que alguns espectadores levantaram de facto os braços quando no texto se dizia "Levantem os braços, plateia". É difícil para mim imaginar uma moral na arte. Por isso também apelidei este trabalho de "exposição radical do fascismo", uma exposição violenta do que foram utilizações moralistas de formas de arte, de discurso político, de leituras históricas, no sentido de provocar no espectador esse incómodo de ter que pensar tudo de novo à luz desta nova utilização da informação. Passamos a vida inteira a tentar encontrar formas de colocar protecções em tudo aquilo que fazemos. É-nos mais favorável encontrar lugares onde passemos incólumes. Mas se não posso andar na rua a provocar as pessoas, a tentar fazê-las pensar pelos seus próprios meios, pelo menos quando as pessoas se dispõem a entrar numa sala ou a abrir um livro para se encontrarem com um texto meu, exerço esse meu direito artístico de as tentar deslocar do seu conforto diário. Não é sem um sorriso que vejo comparada esta peça com o discurso do Estado Novo. Um discurso que eu abomino e ao qual devoto o meu mais profundo desprezo. Mas, estando aqui a tratar de ficção, sendo eu um ficcionista, alguma coisa terei feito bem para que isso seja confundido. Um abraço.






@Ana Almeida

Domingo, 2 de Maio de 2010

INTERVAL ACT

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...ah fascista!

[Os Nacioneses agradecem a Ana Almeida por tão bem ter cantado o fado da Nação.]

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

ABERTURA DAS HOSTILIDADES

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SELECÇÃO NACIONAL


Teatro-Cine de Torres Vedras
30 de Abril, 21:30
Reservas: www.atv.pt
Mais info:
www.seleccaonacional-atv.blogspot.com





Um palco que é uma arena, onde forças opostas se digladiam. Atacantes e defensores em permanente jogo de interesses. Sem fronteiras. Quem vence? Quem perde? Empatamos?... Eles são os melhores dos melhores: os mais fortes, os mais duros, os mais convincentes, os mais persistentes, os mais virtuosos, os mais inteligentes, os mais carismáticos, os mais perversos, os mais rápidos, os mais perigosos, os mais teimosos, os mais eloquentes, os mais destruidores, os mais imbatíveis, os mais eficazes, os mais poderosos... Uma selecção artifical de eleitos, um exército de lutadores que não sabem ao que vão, mas vão. Um espectáculo transformado em campo de jogos, barra do tribunal, divã do psicoterapeuta, recreio de escola, sistema imunitário, laboratório científico, comício político, uma organização de nações (des)unidas. O elo mais forte. Em nome de tudo. Em nome de nada. Só porque sim. Mas também em nome de uma Pátria ainda por fundar.

ENCENAÇÃO Rogério Nuno Costa.
TEXTO Luís Filipe Cristóvão.
INTERPRETAÇÃO/CO-CRIAÇÃO Ana Almeida, Ana Paixão, David Bernardes, Diana Coelho, Estela Brito, Fábio Santos, Magda Matias, Marta Antunes, Nuno Relvas, Pedro Canário, Raquel Crisóstomo, Raquel Saraiva, Sofia Diniz, Tatiana Silva e Virgínio Almeida.
INSTALAÇÃO FOTOGRÁFICA Cátia Cóias.
DESIGN GRÁFICO Filipe Branco.
GUARDA-ROUPA Cristina Neves.
ESCULTURA Jorge Ponce.
REALIZAÇÃO VÍDEO Bruno Carnide.
SOM Roberto Marto, Cristiano Ferreira.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL [MÚSICA] Mirdgard
ACTORES CONVIDADOS [FILME] André Duarte, André Santos, André Simões, Bruno Gonçalves, Erica Gonga, Eugénia Almeida, Roger Madureira, Rui Estrela e Rui Silva.
VOZES [FILME] Ana Dionísio, Ana Manso, André Santos, António Pedro Silva, Bruno Carnide, Carolina Martins, Cristiano Ferreira, Daniel Coimbra, Diogo Garcia, Isabel Coelho, Laura Gonçalo, Luís Gomes, Luís Siopa, Marta Coelho, Miguel Stichini, Rafael Lopes, Renata Silva, Roberto Marto, Roger Madureira, Rogério Nuno Costa, Rui Silva, Sara Messena, Sara Nogueira, Sofia Seno, Tânia Gonçalves, Tânia Ribeiro e Vânia de Sousa Domingues.
DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO
Gonçalo Oliveira, Marisa Miranda.

PRODUÇÃO EXECUTIVA/ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO Nuno Relvas


PROPAGANDA POLÍTICA
[instalação fotográfica]
—a partir de 16 de Abril de 2010, em vários espaços expositivos da cidade de torres vedras


ABERTURA DOS JOGOS E DEMAIS CENÁRIOS DE GUERRA
[espectáculo + filme]
—30 de Abril de 2010, no Teatro-Cine de Torres Vedras—


[projecto inserido nas Comemorações dos 200 Anos das Linhas de Torres, proposta da Câmara Municipal de Torres Vedras]

Domingo, 25 de Abril de 2010

DECLARAÇÃO DE GUERRA, II

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[fotografia: Cátia Cóias; design: Filipe Branco]


Pessoas do futuro, no momento em que encontrarem este texto já terei terminado o texto que escrevo para o projecto Selecção Nacional do ATV. No entanto, é do processo criativo que vos escrevo. Respondendo a um convite do Rogério Nuno Costa, estou neste momento a preparar os textos para a peça. O processo tem sido levado a cabo em constante contacto com o trabalho dos actores, sendo que das suas improvisações vão surgindo uma série de ideias que são, depois, exploradas no texto. Mas comecemos pelo início, Pessoas do Futuro. No início era o vazio. Melhor, o Vazio. E coloco a maiúscula para sinalizar aquilo que nos pareceu ser o ponto de partida essencial das Linhas de Torres. Aceitemos isto: por aqui não aconteceu nada. As Linhas de Torres estavam incompletas, os Franceses não se atiraram à guerra, os Ingleses não perseguiram os Franceses. Portanto, no início era o Vazio. E tudo aquilo que nos sobrava era a noção de ataque e defesa. Como se tudo se passasse na teoria. Como tudo se passou na teoria. Perante o Vazio está  tudo por inventar. Inventemos então um país. Um país que precisa de um hino. Um país que precisa de uma constituição. Um país que precisa de um território. Um país que precisa de uma língua. Um país que precisa de habitantes. Um país que precisa de um destino. Um país que precisa de um Presidente da Câmara. Um país que precisa de uma Fátima. Um país que precisa de uma Amália. Um país que precisa de um Michael Jackson. Um país que precisa de uma Pantera Negra. Um país que precisa de tudo. Precisar de tudo implica precisar-se de uma Cerimónia de Abertura e de uma Cerimónia de Encerramento. Precisar de tudo implica precisar-se de um bom concerto musical. Precisar de tudo implica precisar-se da conjugação de todos os dados necessários. Um país. Um país. Foi o nosso sonho desde o início deste processo, deste projecto, Selecção Nacional, em frente, os heróis desta pátria inventada. Em ano de Mundial de Futebol vão pensar que aquilo que queremos é meter o bedelho no pontapé na bola. Mas não, queremos muito mais do que isso. Queremos perceber o que é isto de termos uma identidade, se todas as identidades estão sempre tão perto de serem de plástico. Se começássemos tudo de novo, agora, será que conseguiríamos chegar a um ponto igual? Queremos perceber o que é isto de termos uma história, se todas as histórias nos soam sempre iguais à da carochinha. Queremos também perceber o que é isto de ter pessoas que são referências para o país. Mas são pessoas como nós ou pessoas que vêm de outros lugares da criação? Pessoas do futuro, aí no lugar onde estão, gostaria que tudo estivesse terminado, mas temo bem que esteja tudo ainda a começar. Se no início era o Vazio, há sempre um vazio ameaçador como chuva nesta primavera que não o é. Gostaria que tudo estivesse como um imenso dia de sol, sorrisos, lanches no pinhal. Mas provavelmente continuaremos submersos nestas questões que sempre trouxemos connosco. Apenas com a cabeça de fora. A ver se alguém nos salva ou se teremos salvação. A ver se qualquer coisa de intermédia será, ainda assim, o melhor lugar para se estar seguro.


DECLARAÇÃO DE GUERRA, I

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[fotografia: Cátia Cóias; design: Filipe Branco]


...é o próximo espectáculo a apresentar pelo Académico de Torres Vedras, com encenação de Rogério Nuno Costa, texto de Luís Filipe Cristóvão e a participação de 13 intérpretes e alguns convidados especiais. O espectáculo partiu do convite da Câmara Municipal de Torres Vedras para que o Académico de Torres Vedras construísse um espectáculo teatral inspirado na efeméride que este ano se comemora: os 200 anos das Linhas de Torres Vedras. A primeira pergunta que se colocou ao encenador e ao grupo de intérpretes/co-criadores foi: o que fazer com um espectáculo que é uma “encomenda”? E depois: como fugir ao facilitismo “pedagógico” da recriação histórica? A partir daí, a temática foi sendo dissecada, subvertida, construída e desconstruída, abrindo o seu campo de possibilidades dramatúrgicas para outras esferas disciplinares. O binómio ataque/defesa impôs-se, mas também as palavras-conceito “matar”, “morrer”, “resistir”. De imediato percebemos que nos interessava um espectáculo-pesadelo, mais heróico que patriótico, que falasse de uma Nação que não existisse. Não queríamos um espectáculo “português”, queríamos um espectáculo do mundo. Por outras palavras, queríamos (e queremos) fazer teatro; não nos interessa fazer “história”. Todos estes ingredientes foram sendo trabalhados num contexto de experimentação transdisciplinar, numa continuação mais ou menos lógica do trabalho anterior: “MASHUP”. Os materiais levantados durante o processo de criação apresentaram dimensões muito distintas (e até autónomas), o que nos fez dividir o projecto em três partes. A primeira é uma instalação de cartazes propagandísticos que vai ocupar alguns espaços expositivos da cidade e que o espectador poderá visitar com a ajuda de um roteiro. As imagens expostas são cartazes de propaganda política ficcionada, com base no tratamento heróico de pessoas comuns, utilizando os actores como modelos. A ideologia que se publicita é a do próprio espectáculo, numa dupla referência à “selecção nacional” (os escolhidos para fundar uma nova Nação) e à “Selecção Nacional” (o espectáculo público que acontecerá no dia 30 de Abril e que apresentará a Nação pela primeira vez). A segunda parte é o próprio espectáculo, uma cerimónia de abertura que é também uma cerimónia de encerramento, um concurso televisivo que é também um filme de terror, um fado salazarista que é também um hino psicadélico, uma prova desportiva que é também uma roleta russa, um jogo de estratégia que é também uma declaração de guerra (avisamos que não vamos ter ninguém a fazer de Napoleão). A terceira e última parte é um filme, que é também uma telenovela, que é também uma série de época, mas que tem um só episódio, o primeiro e o último, mais as cenas dos próximos capítulos, que jamais irão acontecer. O filme é a nossa reconciliação possível com a encomenda original e a origem deste projecto. Propomo-nos a contar a história possível do que por Torres Vedras se terá passado há 200 anos atrás (passou-se, de facto, alguma coisa??). Mas contamos a história “à nossa maneira” (não temos outra...). E isto não é ironia; é cinismo, mesmo. O filme será projectado no dia do espectáculo e poderá ser adquirido, em DVD, por quem quiser. Conta com a realização de Bruno Carnide e a participação de mais de 30 actores e figurantes.

[Rogério Nuno Costa]

Sexta-feira, 26 de Março de 2010

ANTHEM, #3

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WHITE NOISE


n.
sound or electrical noise that has a relatively wide continuous range of frequencies of uniform intensity.



White noise is a random signal (or process) with a flat power spectral density. In other words, the signal contains equal power within a fixed bandwidth at any center frequency. White noise draws its name from white light in which the power spectral density of the light is distributed over the visible band in such a way that the eye's three color receptors (cones) are approximately equally stimulated. An infinite-bandwidth white noise signal is purely a theoretical construction. By having power at all frequencies, the total power of such a signal is infinite and therefore impossible to generate. In practice, however, a signal can be "white" with a flat spectrum over a defined frequency band. While it is usually applied in the context of frequency domain signals, the term white noise is also commonly applied to a noise signal in the spatial domain. In this case, it has an autocorrelation which can be represented by a delta function over the relevant space dimensions. The signal is then "white" in the spatial frequency domain (this is equally true for signals in the angular frequency domain, e.g., the distribution of a signal across all angles in the night sky). It is used by some emergency vehicle sirens due to its ability to cut through background noise, which makes it easier to locate. White noise is commonly used in the production of electronic music, usually either directly or as an input for a filter to create other types of noise signal. It is used extensively in audio synthesis, typically to recreate percussive instruments such as cymbals which have high noise content in their frequency domain. It is also used to generate impulse responses. To set up the equalization (EQ) for a concert or other performance in a venue, a short burst of white or pink noise is sent through the PA system and monitored from various points in the venue so that the engineer can tell if the acoustics of the building naturally boost or cut any frequencies. The engineer can then adjust the overall equalization to ensure a balanced mix. White noise can be used for frequency response testing of amplifiers and electronic filters. It is not used for testing loudspeakers as its spectrum contains too great an amount of high frequency content. Pink noise is used for testing transducers such as loudspeakers and microphones. White noise is a common synthetic noise source used for sound masking by a Tinnitus masker. White noise is a particularly good source signal for masking devices as it contains higher frequencies in equal volumes to lower ones, and so is capable of more effective masking for high pitched ringing tones most commonly perceived by tinnitus sufferers. White noise is used as the basis of some random number generators. For example, Random.org uses a system of atmospheric antennae to generate random digit patterns from white noise. White noise machines are sold as privacy enhancers and sleep aids and to mask tinnitus. Some people claim white noise, when used with headphones, can aid concentration by masking irritating or distracting noises in a person's environment.


WHITE NOISE PLAYER

Quarta-feira, 17 de Março de 2010

VISUALS, #4

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festival of the nations
festival of beauty



pa'rrtt-t u'y:
phxtiva'll-l daaxx naasñ-ixx

pa'rrt-t dôexx:
phxtiva'll-l daa blêzaa

brrevmêytt, nuy-y caypuh d coysêytrraasãuy pe'rrtuh d sih...


parte um:
festival das nações

parte dois:
festival da beleza

brevemente, num campo de concentração perto de si...

Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Terça-feira, 9 de Março de 2010

dzaacô'rduh ôr'tugrràphicuh

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êxtt b'llógg pasaa aa shcrrvêr'ss naa lì'ñguää-a daa naasãñ-ñ, cõñsub'xxtañsjadaa nuh xaamaduh aacôr'duh ôr'tugrràphicuh daa naasãñ-ñ. tôdaaxx aaxx puxtajêñxx s'rãñ-ñ, cõñtuduh, trraduzidaaxx pa'raa aa lì'ñguää-a pu'rtugêzaa pêluh dpaa'rtaamêñtuh d lì'ñguääxx i liñguäjêñxx duh aacaadèmicuh d tôrxx vedrraaxx.

[PORTUGUÊS: Este blog passa a escrever-se de acordo com a Língua da Nação, consubstanciada no chamado Acordo Ortográfico da Nação. Todas as postagens serão, contudo, traduzidas para a Língua Portuguesa pelo Departamento de Línguas e Linguagens do Académico de Torres Vedras.]

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

VISUALS, #3

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monumento
comemorativo
da (não-)efeméride
















@Jorge Ponce ["senhoras das águas", torres vedras]


Naquele território nómada que navega pelos mares do devir, uma nação se ergue. A sua gente, trabalhando na construção da sua identidade, faz a utilização improvisada de eventos e de coisas que se amontoam como sucatas de um tempo ainda lembrado como glorioso. Portanto, o seu presente se constrói com o aproveitamento da substância restante do que já foi. Na amálgama daquela cultura de imponderabilidades, os incessantes e inconclusivos conflitos que permeiam todos os aspectos da vida social são os fios de uma malha de antagonismos com os quais se tece a consciência colectiva daquele povo. Por tradição, cada indivíduo deve disputar tudo. Vencer não é a meta. Mas, perder uma contenda, jamais. Vem daí que a arte da dissimulação é a estratégia que evita a fuga de dados que possam permitir o triunfo do oponente. Nesta lida manhosa as pessoas se cruzam mas não se encontram. O cuidado é tanto que, temendo eventuais actos falhos que denunciem fragilidades, evitam os olhos uns dos outros e, com a habilidade de constantemente variar de opiniões, acentuam ao extremo as características da polaridade que circunstancialmente representam. Constituída como uma colectividade sem vencedores e sem vencidos, o seu lema nacional é: EMPATEMOS!

 
APRESENTAÇÃO DO MONUMENTO NACIONAL

O monumento é uma composição obtida com o aproveitamento de alguns fragmentos que restaram das alegorias que decoraram as ruas de Torres Vedras em Carnavais passados. O conteúdo simbólico da obra está subjacente a conceitos tão indefiníveis como a própria nação que o monumento representa. Nele há de tudo que se quiser ver, perceber, ou concluir. O inútil (mas permitido) trabalho de descodificação conceptual ou estética da obra fica por conta de quem considerar necessário faze-lo. Procurando bem, aqui e ali, este ou aquele pormenor, à luz das citações de algum filósofo, sociólogo, antropólogo, ou de um iluminado teórico das artes, imprevisíveis justificações podem surpreender – tanto o olhar contemplativo de um observador contingente como os complexos questionamentos de um perspicaz especialista. O facto concreto é que, neste preciso momento histórico, a obra é uma resultante do sentimento nacional daquele povo e, de maneira inequívoca, espelha o seu carácter. E, convém lembrar: ainda que, por câmbio de circunstâncias, ela deixe de o fazer, trata-se de uma obra aberta a espontânea intervenção popular, retirando-lhe ou acrescentando-lhe elementos em intervenções tão radicais que poderiam até decretar a sua total extinção a favor de uma outra menos geradora de opiniões conflituantes. Contudo, de onde virá o consenso para esta tomada de decisão? Com certeza, daquele povo, tal desempate não virá.


Jorge Ponce [artista]

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

ANTHEM, #2

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wikinfo


A national anthem is a self-identifying musical symbol of a nation, whether a country (including countries that are part of larger countries), a nation state, a people, or an area with a self-identifying populace who regard themselves as a nation. National anthems may take any form of musical composition, be official, unofficial, or de facto, and a nation may have more than one national anthem. In all cases, however, the general intent is to connect a national with the idea of his or her nation – either in its spirit, or directly through lyrics. Listed in the end of the right column of this blog are national anthems that are currently performed at public events, and are universally recognised as being the appropriate national anthem by the listening public.